Tres pilares do autoconhecimento. Primeiro: O Ser Humano como Indivíduo Integral – Por Luiz Roberto Fava

Tres pilares do autoconhecimento. Primeiro: O Ser Humano como Indivíduo Integral – Por Luiz Roberto Fava

Dentro de uma concepção holística, o Ser Humano é composto de corpo, mente e espírito.

O corpo se relaciona com os cinco sentidos: audição, visão, olfato, tato e paladar.

A mente recebe todos os estímulos captados pelos cinco sentidos e os processa, armazena ou nos faz escolher para agir frente a qualquer situação. Também se relaciona com nossas emoções, ideias, criatividade, inovação, acúmulo de conhecimento, lógica, etc. De forma simplista, a mente é razão e emoção.

Já o espírito nos mostra nossa grandeza, que fazemos parte de um Universo e que aqui estamos para cumprir uma clara missão de vida, alinhada a nosso princípios e valores, e fazendo com que tenhamos uma fé inabalável para ultrapassar obstáculos e chegar até onde queiramos chegar.

Entretanto, estes “três componentes” do Ser Humano Integral podem ser divididos em oito áreas ou oito diferentes aspectos, como nos ensina Di Stéfano :

– físico;  emocional; intelectual; profissional; financeiro;  lazer;  relacionamentos (inclui a família) e espiritual.

Já Ogata & de Marchi preferem agrupá-los em:

– aspectos físicos;

– aspectos mentais;

– aspectos sociais; e,

– aspectos espirituais.

Covey prefere assim descrevê-los:

– corpo (viver/sobreviver);

– mente (aprender – crescimento/desenvolvimento);

– coração (amar – relacionamentos); e,

– espírito (deixar um legado – significado e contribuição)

Considerando-se qualquer uma destas classificações, a verdade é que cada Ser Humano Integral é um indivíduo, indivisível e único.

Ter consciência disto é o primeiro passo para se autoconhecer. Nossa individualidade é única e exclusivamente de cada um de nós. Pode existir indivíduos semelhantes, parecidos, mas nunca iguais.

A maior prova desta individualidade é dada, primeiro, pela nossa certidão de nascimento e, em segundo lugar, pelas nossas impressões digitais.

É através delas que mostramos ao mundo esta individualidade, que somos únicos e indivisíveis, que somos um Indivíduo.

Apenas como curiosidade, vale lembrar que a utilização de impressões digitais para identificação de seres humanos existe desde a antiguidade em diversos locais como Mesopotâmia, Turquestão, Índia, Japão e China, com o objetivo de autenticar documentos e selar acordos civis e comerciais. O primeiro sistema de identificação por impressões digitais foi criado por Francia Galton, com base em anotações anteriores de outros autores. A primeira utilização de uma impressão digital para prender e condenar um criminoso aconteceu na França em 1902.

É pela impressão digital, ´punica, pois não existem duas impressões digitais iguais, que somos “transformados” em um número, o nosso RG. Sem este número não somos ninguém para o mundo.

Para mais, esta individualidade me fez lembrar daquilo que a Matemática chama de número primo natural. Para quem não lembra, um número primo natural é aquele que só é divisível por 1 e por ele mesmo, ou seja, tem apenas dois divisores:

EU ÷ EU = 1

EU ÷ 1 = EU

Se nos “dividirmos” por nós mesmos, o resultado será sempre 1. E se nos “dividirmos” por 1, o resultado será sempre EU mesmo.

Assim, de um jeito ou de outro, cada um de nós será sempre um indivíduo único, indivisível, um ser autônomo e independente em relação a qualquer outro Ser Humano .

Por isso, se pudéssemos nos classificar como um número único, tenho certeza que este número seria o número EU.

Do ponto de vista da numerologia pitagórica, o 1 é o único, o absoluto. É a personalidade individual do Ser Humano. É o EU SOU.

O primeiro dos números tem a ver com os inícios, com tudo o que é único e absoluto. Está ligado à energia criativa, à originalidade, ao poder e à objetividade. É um número que carrega a energia masculina, de assertividade, de ímpeto e realização. Representa a unidade de Deus, mas também o Eu, a personalidade única de cada um. Tem correspondência com liderança, força e ambição. Traz coragem, confiança, independência, movimenta as atividades mentais e empurra na direção das realizações.

Para de Paula, autoconhecimento é conhecer a própria essência, ou seja, é ter pleno domínio de si mesmo em pensamentos, desejos, esperanças, frustrações e crenças. O autoconhecimento faz com que tenhamos oportunidades de interpretar melhor quem somos e, principalmente, onde queremos chegar.

O autoconhecimento é tão importante porque:

Quem não se conhece será sempre refém de suas emoções, de suas desconhecidas crenças limitantes e de suas percepções distorcidas.

Quem não se conhece diz A quando queria ter dito B. Tira conclusões equivocadas sobre si e sobre os outros já que é comandado pelas crenças que tem e desconhece que as têm.

Quem não se conhece tem maior chance de fazer escolhas não benéficas para si mesmo e depois fica culpando fulano ou beltrana ou a má sorte.

Quem não se conhece terá mais chance de insucesso em seus relacionamentos, pois poderá ser manipulado pelo outro, poderá ficar carente de argumentos válidos numa discussão crucial, poderá ter sua autoestima abalada por comentários equivocados ou maldosos do outro, etc.

Quem não se conhece mais facilmente entra em conflito com os demais.

Quem não se conhece se autoengana a maior parte do tempo e disso podem vir consequências desastrosas tanto na vida pessoal quanto profissional.

Quem não se conhece pode ter uma vida ralada, medíocre e se achar o “rei/rainha do pedaço” ou, ao contrário, ser uma pessoa excepcional e se considerar um lixo.

Quem não se conhece pode ficar marcando passo, estagnado em alguma situação onde não vê saída porque desconhece o próprio potencial ou, ao contrário, pode dar o passo maior que a perna porque desconhece suas limitações.

Este processo ininterrupto para aumentarmos o conhecimento de nós mesmos também foi percebido por Sócrates, o filósofo grego já citado, e sintetizado na sua (outra) famosa frase: só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.

Ter a humildade suficiente para admitir que somos “pequenos” é um grande passo para nos tornarmos “grandes”. E quem resume esta verdade é Cortella em sua crônica “E tem gente que se acha…”

Entretanto, quanto mais crescemos e nós desenvolvemos mais temos a oportunidade de mostrar nossa coragem de realizar coisas novas, inusitadas, diferentes, mostrando que vamos nos tornando cada vez maiores, o que pode gerar, em outros indivíduos, pensamentos que os fazem nos julgar como loucos, lunáticos, diferentes, etc.

Este fato foi sabiamente percebido por Oscar Wilde e traduzido por sua famosa frase: ser grande significa ser incompreendido.

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